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Cuidados paliativos: para a vida ou para a morte?

11 de Outubro de 2018

Os Cuidados Paliativos vieram para ocupar um lugar definitivo na assistência à saúde no mundo e no Brasil. A prática, que consiste numa série de ações coordenadas e integradas, realizadas por uma equipe multiprofissional (médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, farmacêuticos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, capelães e voluntários capacitados para tal), promove não apenas o conforto e o bem-estar da pessoa que adoece, mas a compreensão do processo saúde-doença e o exercício da autonomia em todas as fases do adoecer.


O envelhecimento populacional mundial vem ocasionando uma mudança progressiva no perfil epidemiológico das doenças crônicas não transmissíveis. A perspectiva é de um aumento ainda maior nos próximos anos do número de enfermidades como demências e neoplasias, levando a um maior número de pessoas idosas com perda de qualidade de vida e com variados graus de dependência. Assim, é fundamental saber abordar adequadamente esse idoso doente, de maneira integral (orgânica, funcional e espiritualmente), sem medidas fúteis que prolonguem seu sofrimento e de seus familiares.


Os Cuidados Paliativos são indicados para todos os pacientes (e familiares!) com doença ameaçadora da continuidade da vida por qualquer diagnóstico, com qualquer prognóstico, seja qual for a idade, e a qualquer momento da doença em que eles tenham expectativas ou necessidades não atendidas. Visam aliviar o sofrimento e agregar qualidade à vida e ao processo de morrer.  Desta forma, os Cuidados Paliativos são para a vida, e não como comumente escutamos que “são para a morte porque não há nada mais a ser feito”.
Um dos maiores desafios da área em questão é a dificuldade que o próprio profissional da saúde tem com relação à terminalidade e às limitações da existência humana. O isolamento das emoções é a forma privilegiada que a medicina encontrou para fazer frente a essa armadilha da profissão médica, que é estar cotidianamente em contato com a morte mas, contraditoriamente, não ser preparado para lidar com ela.


Como já dizia Sêneca: “Não é uma questão de morrer cedo ou tarde, mas de morrer bem ou mal. Morrer bem significa escapar vivo do risco de morrer doente”.

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